LAF desenvolve pesquisa sobre cinemas de África e América Latina

Com o projeto Canção popular e cinema: poéticas latino-amefricanas contemporâneas, o Laboratório de Análise Fílmica (LAF) foi contemplado no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), programa que visa a formação de estudantes de graduação da UFBA em pesquisa cientifica. O projeto é coordenado pelo professor Guilherme Maia, também coordenador do LAF, com o objetivo de adquirir conhecimento sobre filmes africanos e filmes latino-americanos vencedores nas categorias “melhor filme” e “melhor música” em festivais de cinema nos últimos cinco anos. A investigação conta com a participação de três estudantes de graduação – Pamela Ane Melo de Souza, Paulo Henrique de Vaz Castro e Tami Hasse (foto em destaque) – e já apresenta alguns resultados parciais.

Pamela de Souza fez um levantamento de dados sobre os vencedores do prêmio de melhor filme e melhor música original em festivais de cinemas africanos realizados entre os anos de 2018 e 2023. Um dos resultados foi a percepção de que dentre os seis festivais analisados, apenas as Jornadas Cinematográficas de Cartago (JCC), na Tunísia, e o Festival Pan-Africano de Cinema Televisão de Ouagadougou (FESPACO), em Burkina Faso atribuíram o prêmio de melhor música original. Entre as obras premiadas estão os filmes: Nossa senhora da loja do chinês (2020), de Ery Claver (Angola), Rafiki (2018) de Wanuri Kahiu (Quênia), Atlantique (2019), de Mati Diop (Senegal), Haut et fort (2021) de Nabil Ayouch (Marrocos) e The Slave (2022), de Abdelilah El Jaouhari (Marrocos).

Paulo Henrique de Castro fez um mapeamento de obras vencedoras nas categorias “melhor filme” e “melhor música” (ou equivalente) em festivais realizados na América Latina e um dos resultados obtidos foi que dos oito festivais analisados, apenas quatro destacaram a categoria específica de música nos filmes, são eles: Festival de Cinema de Gramado (Brasil), Festival Internacional de Cinema de Viña del Mar (Chile) e os festivais argentinos Mar del Plata Film Festival (Argentina) e Festival Internacional de Cine de Buenos Aires (BAFICI). Entre os filmes premiados estão os argentinos Los knacks: déjame en el passado (2019), de Mariano Nesci e Gabriel Nesci; Satori Sur (2019), de Federico Rotstein e o documentário Radio Olmos (2019), de Gustavo Mosquera. Entre os filmes brasileiros estão Simonal (2019), de Leonardo Domingues; O homem cordial (2023), de Iberê Carvalho e Todos os mortos (2020), de Caetano Gotardo, Marco Dutra.

Por fim, Tami Hasse desenvolveu pesquisa em periódicos em linha e em plataforma agregadoras de críticas, sobre juízos de valor a respeito do uso da canção em filmes latino-americanos e premiados em festivais (melhor filme, melhor música) nos últimos cinco anos. Parte considerável das críticas foi localizada em jornais e revistas de notoriedade mundial e com seções culturais – Le Monde, La Presse, NY Times, Variety, The Hollywood Reporter, entre outros. Alguns sites europeus e norte-americanos que também se mostraram relevantes por frequentemente publicar sobre cinema latino e africano foram Cineuropa, Supamondu, Allociné e A Bus De Cine. Jornais, revistas e sites africanos (como Jeune Afrique ou La Presse Tunisia) e latino-americanos também foram considerados, atuando como principal ferramenta para mapear as opiniões dos críticos nos países de origem dos filmes em questão. De acordo com Tami, enquanto a crítica interna dos países (tanto da África quanto da América Latina) se concentra mais em divulgação, numa atitude de defesa pelo nacional e foco numa política de exportação artística, a crítica externa foca no fato de eles serem estrangeiros – como se os cineastas de um continente inteiro participassem de um mesmo movimento cinematográfico e compartilhassem das mesmas preocupações temáticas, políticas e estéticas.

Conheça o perfil dos estudantes de PIBIC participantes do projeto:

Pamela Ane Melo de Souza é graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Artes, da Universidade Federal da Bahia, com interesse em pesquisas sobre a relação entre cinema, corpos femininos e body horror.

Paulo Henrique Vaz de Castro é Mestrando em Comunicação, Mídia e Formatos Narrativos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Bacharelando em Artes/Cinema e Audiovisual pela UFBA e Bacharel em Administração e Direito (UFBA).

Tami Hasse é graduanda na Área de Concentração de Cinema e Audiovisual do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da Universidade Federal da Bahia com interesse por pesquisas nas áreas de artes, cinema, história e antropologia.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email