Após o sucesso com a exibição do filme Amazonas, o maior rio do mundo (Silvino Santos, 1918, Brasil), no dia 10 de março (veja como foi aqui), o Cineclube Glauber Rocha juntamente com o Laboratório de Análise Fílmica (LAF), exibe no dia 22 de setembro, às 10h30, o filme O martírio de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc, Carl Theodor Dreyer, França, 1928), com música ao vivo do Quarteto de Flautas da Bahia e comentários de Guilherme Maia e Feliphe Alencar. A ação conta com o apoio da Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro e o Institut Français.
Considerado um dos filmes mais importantes de todos os tempos, O Martírio de Joana D’arc foi dirigido pelo cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer e a narrativa traz a história do processo de julgamento de Joana D’arc (Renée Jeanne Falconetti), célebre heroína francesa capturada em 1430 pelas tropas de Borgonha. O sofrimento e abnegação dessa mulher com semblante humilde contrastam com a postura arrogante das autoridades eclesiásticas decididas em condená-la, ao mesmo tempo, que aproximam simbolicamente a protagonista com a figura de Jesus Cristo, tanto pelo desfecho sacrificial de suas trajetórias quanto por pagarem o preço da culpa alheia.
Com um roteiro baseado em documentos históricos verídicos, o filme também se tornou uma obra rara após uma sucessão de eventos relacionados à sua preservação. Lançado nos idos de 1928, o filme passou por uma série de danos materiais como o corte de trechos pela censura e a queima dos negativos, exigindo que o cineasta remontasse a obra a partir de cópias e duplicatas. Somente em 1984, graças à descoberta de uma cópia completa, em excelente estado de conservação e com intertítulos em dinamarquês, a restauração e distribuição se tornaram possíveis.
A cópia a ser exibida no Cine Glauber Rocha corresponde à restauração mais recente do filme feita em 2015 pela empresa Gaumont, com financiamento do Centre national du cinéma et de l’image animée – CNC (França) e distribuição no Brasil através da Cinemateca da Embaixada da França (IF Cinéma). A restauração foi criada a partir da digitalização 2K de um negativo duplicado feito de uma cópia em nitrato fornecida pelo Danish Film Institute da versão original de Carl Theodor Dreyer.
A sessão é uma iniciativa conjunta do grupo de pesquisa Laboratório de Análise Fílmica (LAF), da UFBA, e do Cineclube Glauber Rocha, do Cine Glauber Rocha com curadoria de Adolfo Gomes, apoio da Cinemateca da Embaixada da França (Rio de Janeiro), responsável pelos direitos de exibição do filme, e do Quarteto de Flautas de Bahia, responsável pelo acompanhamento musical durante a exibição. O ingresso terá custo de 10 reais, sujeita à lotação do espaço.
MÚSICA E CINEMA

Por ser tratar de um filme originalmente silencioso, um grande momento da sessão é a música ao vivo, que será conduzida pelo Quarteto de Flautas da Bahia grupo formado pelos flautistas Lucas Robatto, João Liberato, Leandro Oliveira e Rafael Dias e que tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento da cultura da flauta transversal e é responsável pela composição e performance musical durante a exibição do filme. Esta sessão também conta a participação especial da cantora Camila Ceuta (imagem abaixo, à esquerda) e toda beleza da sua voz e da percussionista Amanda Rodovalho (imagem abaixo, à direita) com o ritmo único da percussão.

PESQUISA E CINEMA


O filme de Carl Dreyer ocupa um lugar importante nos estudos de cinema, a ponto de David Bordwell (1947-2024), uma das maiores referências nos estudos de teoria e história do cinema, dedicar duas publicações ao cineasta e sua obra: o livro Filmguide to La Passion de Jeanne D’Arc (1973), que apresenta uma extensa e detalhada análise do filme (veja o livro aqui), e The Films of Carl Theodor Dreyer (1981) com foco na filmografia do cineasta dinamarquês.
Após a sessão, o público será convidado a conhecer um pouco mais sobre o contexto de criação do filme a partir dos comentários de Guilherme Maia, coordenador do LAF, professor da Facom/UFBA, especialista em aspectos sonoros e musicais de obras audiovisuais e Feliphe Alencar, roteirista e pesquisador com foco em cinema político e natureza da imagem cinematográfica. A mediação será por conta de Lucas Ravazzano e Morgana Gama, ambos pesquisadores associados do LAF/Póscom.
PORQUÊ ASSISTIR?
Além do filme ser considerado um marco na história do cinema mudo e, hoje, um clássico mundial, a história de Joana D’Arc também serviu de inspiração para filmes dirigidos por cineastas como George Méliès, Cecil B. DeMille, Victor Fleming, Roberto Rossellini, Luc Besson, entre outros. A presença de música ao vivo em uma sessão de cinema também é algo raro hoje em dia, mas que o projeto tem proporcionado.
SERVIÇO
Exibição de “O Martírio de Joana D’Arc” com música ao vivo
Quando: 22/09 (domingo) às 10h30
Onde: Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves, 5 – Centro)
Quanto: 10 reais (sujeito a lotação do espaço)
Mais informações: lafposcom@gmail.com